O Jornal Económico "António Costa vive um momento de sorte como de Cavaco Silva na década de 80" – O Jornal Económico

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  • A economia está a crescer. Os números a que temos assistido surpreenderam-no, ou fazia parte do grupo dos que eram pessimistas em relação a 2017? Nunca fui um pessimista crónico e também nunca fui um otimista exagerado. Acreditei, evidentemente, que todas as crises passam. E sabe que quando se chega a uma idade como a minha, em que já passamos por tanta coisa… sabemos que Portugal passou várias vezes por grandes dificuldades que acabaram por ser superadas. Recordo que durante a crise do princípio dos anos 80 comprei um escritório, na Torre das Amoreiras, onde praticamente não havia ninguém. Fui dos primeiros a instalar-me lá. Na altura era um momento péssimo. Passados dois anos, podia ter vendido esse escritório por dez vezes o preço pelo qual comprei. Dez vezes! Por acaso fiz asneira em não ter vendido, pois mais tarde as coisas equilibraram-se (risos). Mas isto para mostrar que as coisas são assim, existem ciclos. E portanto a nossa crise também teria de passar. Outra coisa é saber se este momento vai perdurar ou se, pelo contrário, vem aí uma nova crise. Essa nova crise pode dever-se a factores exógenos, nomeadamente o que acontecer no resto da Europa, ou endógenos? A crise que tivemos recentemente deveu-se, obviamente, a factores exógenos e endógenos. Não foi apenas por factores endógenos. E também estamos a sair da crise não apenas por motivos internos. Aliás,
  • até curioso que estamos a sair da crise justamente com um Governo que tem apoio de dois partidos que não se revêem na União Europeia! E isso não o surpreendeu? É um pormenor um pouco surpreendente, mas lá está, é porque muitas vezes os políticos têm azar ou sorte, como todos na vida. E de facto o primeiro-ministro António Costa vive um momento
  • sorte, como o professor Cavaco Silva teve um momento de sorte no final da década de 80, em que tudo se conjugou
  • que o país tivesse uma boa performance. E de facto há uma coisa que me parece evidente, é que todas as previsões económicas são extremamente falíveis. A economia não se rege por regras lógicas. Não é uma ciência exacta… Sim, porque muitas vezes são factores de natureza psicológica, sociológica, política… há múltiplos fatores imponderáveis e impossíveis de regular e que no fundo determinam o bom e o mau comportamento económico. É claro que estamos agora numa fase positiva, mas amanhã, se deflagrar uma crise internacional, as coisas podem mudar
  • A única forma de estarmos preparados na vida é cumprirmos as nossas obrigações e procurar adaptarmo-nos às mudanças que permanentemente ocorrem. A mudança é a única constante da vida. Acredita nisso? É, quem não se adapta, quem não tenta antever o futuro e adaptar-se a ele, será vencido pelos acontecimentos. Quem tiver uma postura de abertura e permanente adaptação, terá mais oportunidades. Na última entrevista que nos concedeu, uma das coisas que mais o preocupava era o facto de Portugal
  • um problema de falta de capital. Ainda o preocupa? É um problema que continua e que até se agravou. Os centros de poder económico e tecnológico portugueses foram diminuídos nos últimos tempos. Isso é evidente e sucedeu no sistema financeiro, claramente, com o caso do BES. E também na PT. Há quem diga que apesar dos efeitos negativos no curto e no médio prazo, a longo prazo esse processo efeito será positivo, pois esse permitirá renovar o tecido empresarial e aumentar a concorrência. Concorda? Acho que sim, tem um aspeto positivo, mas também um aspeto negativo. O negativo é que, sem dúvida, era importante ter centros de poder económico fortes. Todos os países procuram ter isso. É
  • estratégia que nenhum estado deixa de ter. É uma questão de independência económica? Claro, bem como de estruturação
  • redes de influência económica nacionais e internacionais. Quando olhamos, por exemplo. para Espanha, vemos o poder político aliado aos gigantes económicos que eles conseguem ter. Sem dúvida que Portugal se fragilizou com essa perda, que aliás é uma perda que vem desde a revolução, com as nacionalizações, a reforma agrária… acabamos por debilitar o nosso tecido económico. Agora, somos uma economia muito aberta e com essa abertura também possibilitamos novos investimentos estrangeiros e isso é bom para a economia, sobretudo nesta fase. Foi isso que aconteceu nas telecoms [com a vinda da Altice]? Sim, mas repare: não é por acaso que hoje temos importantes infraestruturas de telecomunicações. Devem-se ao legado anterior? Sim, e permitem ter realizações importantes como a Web Summit,
  • ter o interesse de muitos estrangeiros em Portugal, porque se apercebem que este país tem alguns factores que lhe dão grande vantagem competitiva. Uma delas são as infraestruturas. Outra é o nível educacional e cultural das nossas camadas mais jovens. Os estrangeiros ficam sempre bem impressionados quando vêem os nossos jovens muito bem preparados. E isso tem possibilitado que o país avance. Não há apenas coisas negativas. Mas vai demorar algumas décadas até refazer esse capital nacional que se perdeu… Porventura talvez nem o consigamos e provavelmente passaremos a ser uma plataforma na disponibilização de meios tecnológicos, de conhecimento e de prestação de serviços, mais do que propriamente ter gigantes em áreas industriais ou de outro tipo, porque me parece que o país já perdeu a oportunidade de ter isso. E quanto à situação política? O que espera do resto da legislatura? Estabilidade? Espero que sim. Penso que nenhum dos partidos que hoje suportam a maioria tem interesse em provocar uma crise, que seria muito má para eles. Se há um aspeto positivo que esta crise tem tido é o facto de ter suplantado a ideia da impossibilidade de termos um governo apoiado pelos partidos mais à esquerda. Quebrou-se um tabu? Sim, isso mesmo. E é um aspecto que tem justificado muito a curiosidade dos estrangeiros. Numa primeira fase existia estranheza, mas agora pensam que as coisas não correm tão mal quanto isso. Isto não significa que esta fórmula seja a adequada para dar suporte às reformas que, em meu entender, o país precisa de fazer. O país corre o risco de perder uma oportunidade de fazer reformas, em nome de uma certa paz social? Sim, embora também me pareça que infelizmente – e este talvez seja o maior problema político que temos hoje – também não vejo que à direita haja partidos com pensamento político, estratégia e visão para dar uma alternativa, justamente para que possam ser feitas essas reformas que são absolutamente necessárias. Reformas que, no fundo, criem um Estado menos oneroso e mais eficiente em todas as áreas. Que continue a garantir a Saúde e a Educação, mas que o
  • de forma mais eficiente e menos onerosa. Uma reforma no sistema de Justiça, em que não vejo qualquer indício de um pensamento coerente para o fazer. Uma reforma fiscal, também, que no fundo permita que as pessoas, as famílias, as empresas possam ter um alívio fiscal que seria muito positivo. E portanto há
  • um problema que não é apenas da forma actual de governo, mas é também de uma alternativa. No fundo estamos a ter neste momento uma democracia um pouco coxa, precisamos também de uma direita democrática, aberta, forte, com pensamento político com líderes que inspirem confiança e sejam alternativa. O PSD está parado no tempo? Penso que de facto houve ali um trauma que é preciso ser vencido. Na vida nós temos de aprender com as derrotas e não adianta, quando temos uma derrota, ficarmos a chorar. A questão é que o PSD considera que não teve uma derrota. É evidente que não foi uma derrota eleitoral, mas a verdade é que perdeu a maioria parlamentar e foi possível fazer um governo sem a participação do PSD. E as ultimas sondagens mostram que é preciso que a direita se reestruture e encontre ideias e projetos. Não gostaria que a direita se acantonasse apenas no pessimismo, na crítica, no ataque, no azedume. Isso não é futuro, é passado. Quando diz que a democracia está coxa também se refere ao facto de os partidos que eram vistos como de protesto – PCP e BE – estarem alinhados com o Governo? Não é preciso alguém que faça barulho? Não, repare, o ideal seria podermos ter uma alternativa entre soluções políticas não traumáticas. Os países mais prósperos e de maior desenvolvimento social e económico são países equilibrados, onde as alternativas se colocam sem traumas. E já tivemos traumas que cheguem. Precisamos é de soluções construtivas. E são necessários consensos? Claro que sim. É preciso consenso em áreas como a Justiça, por exemplo. E que o PSD e o CDS sejam forças políticas absolutamente necessárias e cruciais para que essa reforma se possa fazer de forma equilibrada. Que reforma defende? Precisamos de um sistema de Justiça que seja eficiente, justo e dê confiança as pessoas e às empresas, que exerça a sua função de forma equilibrada, discreta, sem estados de alma e sem protagonismos individuais. Com respeito pelo Estado de Direito. E em que os interesses das pessoas e das empresas sejam o factor principal, em vez dos factores ligados aos que exercem a função. Fundamentalmente é necessário pensar no que é necessário fazer para que a justiça funcione com serenidade e eficiência necessárias, com equilíbrio. E essas deviam ser as preocupações. Todos os estudos de opinião dizem que as pessoas não confiam na Justiça e isso não devia acontecer. Com os políticos, que estão debaixo de grande escrutínio e controvérsia, ainda se compreende. Mas a Justiça não

O Jornal Económico O que está em jogo nas eleições autárquicas – O Jornal Económico

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  • Aliás, não seria inédita a queda de um líder partidário (e até primeiro-ministro) na sequência de um mau resultado em eleições autárquicas. Em dezembro de 2001, António Guterres criou esse precedente, ao demitir-se dos cargos de primeiro-ministro e secretário-geral do PS para evitar que o país caísse "num pântano político". Anteriormente, em janeiro de 1989, a substituição de Vítor Constâncio por Jorge Sampaio na liderança do PS deveu-se, em grande medida, ao processo de escolha do candidato socialista a Lisboa nas eleições autárquicas desse ano. Entre outros exemplos. Mas como
  • que se define o vencedor das eleições autárquicas? O partido que obtém mais presidências
  • câmaras municipais, o que recolhe mais votos ao nível nacional, o que conquista as autarquias mais importantes, o que acumula mais vereadores? Depende das circunstâncias. Na noite eleitoral, cada partido costuma exaltar as suas vitórias e relativizar as suas derrotas. Parece que não há vencidos, apenas grandes e pequenos vencedores. A profusão de candidaturas independentes e coligações variáveis acentuou esse fenómeno. Neste contexto, o que esperar das eleições de domingo? O PS dispõe de uma vantagem confortável (mais 44 câmaras municipais do que o PSD)
  • gerir e só um desastre generalizado nas urnas de voto poderá custar-lhe a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP)
  • O PSD procura encurtar a distância e recuperar alguns municípios importantes. O PCP tem 34 bastiões para defender, com especial atenção em Loures, Almada, Setúbal e Évora. O CDS-PP aposta num bom resultado da líder Assunção Cristas em Lisboa, volta a apoiar o independente Rui Moreira no Porto, estabelece cerca de 100 alianças com o PSD (que em 2013 resultaram em 19 vitórias) e tenta preservar as suas cinco presidências. O BE mantém o apoio a Paulo Cafôfo no Funchal e foca-se no aumento do número de vereadores eleitos. Além dessa contabilidade relativa de ganhos e perdas, há um conjunto de decisões em jogo que poderão
  • importantes repercussões políticas, tanto ao nível local como nacional. O Jornal Económico selecionou seis pontos de análise, na forma de perguntas. Com respostas mais ou menos em aberto, pendentes da contagem dos votos. 1. Medina terá de formar
  • "geringonça"? Em Lisboa, a vitória eleitoral de Fernando Medina parece não estar em perigo (tendo em conta as sondagens), apesar da sua campanha defensiva, acossado por críticas generalizadas. E mesmo que perca a maioria absoluta na Câmara Municipal de Lisboa (CML), cenário provável (com intenções de voto entre 41% e 49,5%), poderá firmar acordos de governação com a CDU e/ou o BE, cujos candidatos (João Ferreira e Ricardo Robles, respetivamente) já entreabriram as portas para eventuais negociações. "É uma questão que se colocará depois de conhecidos os resultados. A CDU tem por hábito, nas câmaras em que é maioria, distribuir pelouros pela oposição. Em alguns casos onde não é maioria também tem responsabilidades em determinados pelouros, sempre que considera que estão reunidas as condições para desenvolver um bom trabalho," afirmou Ferreira, em entrevista ao
  • . "O BE quer uma viragem política à esquerda na CML. E, para isso, estamos disponíveis para nos sentarmos e discutir pilares fundamentais: transportes, habitação, creches para as crianças. Estamos disponíveis para uma viragem à esquerda, estamos prontos para isso," anunciou Robles, em debate na Rádio Renascença. A disponibilidade dos partidos mais à esquerda para viabilizarem um executivo minoritário de Medina deverá servir de antídoto contra o "voto útil", impossibilitando assim a maioria absoluta. Nesse cenário, Medina vai enfrentar uma tarefa hercúlea: formar uma "geringonça" que conjugue as diversas sensibilidades da sua coligação (PS, Livre, Cidadãos Por Lisboa e Lisboa É Muita Gente) com as da CDU e/ou do BE. 2. O CDS-PP vai superar o PSD na capital? Além da dimensão da provável vitória de Medina e da correlação de forças entre PS, CDU e BE, as atenções focam-se na disputa pela liderança da oposição na CML, estando Assunção Cristas (CDS-PP/MPT/PPM) ligeiramente à frente de Teresa Leal Coelho (PSD) nas intenções de voto (entre 1% e 1,8%, dentro das margens de erro). A confirmar-se, esta ultrapassagem (que até hoje só ocorreu uma vez, nas eleições autárquicas de 1976) terá um relevante significado político. Desde logo ao consolidar a posição de Cristas no CDS-PP, libertando-a do espectro de Paulo Portas que obteve 7,59% dos votos em 2001, quando se candidatou à CML, prometendo nos cartazes: "Eu fico" (mas não ficou). Ora, nas mais recentes sondagens, Cristas tem entre 13,3% e 17% das intenções de voto, podendo vir a duplicar o resultado alcançado pelo ex-líder. Mais, comprova o erro político de Pedro Passos Coelho, ao ter recusado uma candidatura conjunta PSD/CDS-PP (encabeçada por Cristas) em Lisboa. Agora corre o risco de ser humilhado e daí talvez o aviso de Miguel Relvas, antigo "braço direito" de Passos Coelho, referindo-se a Cristas: "Anda atrevida, anda." Em contraste com o que sucedeu em 1978, quando Nuno Krus Abecasis (CDS) conquistou a presidência da CML através de uma coligação PSD/CDS, já em 2017 Passos Coelho (e Relvas) parecem entender a relação entre PSD e CDS-PP como um jogo de soma zero. Importa recordar que a primeira maioria absoluta de Cavaco Silva (PSD) em eleições legislativas data de 1987, apenas dois anos depois da terceira vitória consecutiva de Abecasis em Lisboa. 3. Moreira não necessitará do PS para governar? É indisfarçável o nervosismo reinante nas hostes de Rui Moreira, recandidato à presidência da Câmara Municipal do Porto (CMP) através de um movimento independente que conta com o apoio do CDS-PP e do MPT. Anteontem chegou ao ponto de classificar como "falsa" uma sondagem que o colocava empatado com Manuel Pizarro (PS) nas intenções de voto, ambos com 34%, a larga distância dos restantes candidatos: Álvaro Almeida (PSD/PPM) com 9%, Ilda Figueiredo (CDU) com 8% e João Teixeira Lopes (BE) com 7%. O movimento de Moreira alertou para "erros grosseiros" nos "questionários e metodologias", considerando que "o mais gritante tem a ver com a omissão do nome de Rui Moreira entre as opções apresentadas aos inquiridos." No mesmo dia, questionado sobre a sondagem, Moreira apelou: "Perante tudo o que tem sucedido nesta campanha, eu espero que os portuenses compreendam muito bem aquilo que está a suceder e que nos dêem a maioria absoluta no domingo." De facto, as várias sondagens relativas às eleições autárquicas no Porto têm sido estranhamente díspares: algumas colocam Moreira no limiar da maioria absoluta e outras apontam para um empate com Pizarro. Resta aguardar pelo apuramento dos resultados oficiais. E lembrar que, na sequência da surpreendente vitória em 2013, Moreira governou a CMP com o apoio do PS, assegurando uma maioria absoluta. Mas entretanto queimou a ponte que o unia aos socialistas e tanto o PSD como a CDU e o BE não estão dispostos a preencher esse espaço político. Sem maioria absoluta, Moreira ficaria à mercê de uma possível "coligação negativa" da esquerda? 4. A liderança de Passos Coelho resistirá a uma hecatombe eleitoral? Nas eleições autárquicas de 2013, o PSD sofreu uma derrota pesada, tendo baixado de 139 para 106 presidências de câmaras municipais (enquanto o PS subiu de 132 para 150). A mudança de poder ocorreu em alguns dos municípios mais populosos e importantes do país, nomeadamente em Sintra, Vila Nova de Gaia, Porto, Coimbra e Funchal. O PSD também perdeu a presidência da ANMP que mantinha desde 2001. O cenário foi tão desolador que Pedro Passos Coelho, então nas funções de primeiro-ministro, chegou a admitir que se tratou de "um dos piores resultados de sempre" do PSD. Neste contexto, as expectativas para as eleições de 2017 são muito baixas, algo que deverá beneficiar Passos Coelho no rescaldo. Ou seja, mesmo que não consiga recuperar muitas câmaras municipais, poderá alegar que melhorou em relação a 2013. De qualquer modo, Passos Coelho já ressalvou: "Eu nunca me demitiria de presidente do PSD por causa de um resultado autárquico." O problema é que a oposição interna está a preparar o terreno para disputar a liderança. "Muitos dentro do PSD dizem que o resultado já foi mau e pior não vai ser. Não. Não são os resultados de 2013 que me interessam. Pedro Passos Coelho tem que prestar contas da casa que recebeu e da casa que entrega," avisou esta semana Nuno Morais Sarmento, na Rádio Renascença. Em suma, Passos Coelho não se demite, mas Rui Rio garantiu entretanto que vai avançar "em qualquer circunstância" como candidato à liderança. E as iminentes humilhações eleitorais do PSD em Lisboa e no Porto poderão ter um peso significativo nessa disputa. 5. O populismo vai render mais votos? Tradicionalmente, o populismo costuma manifestar-se em eleições autárquicas através de promessas irrealizáveis de obras faraónicas,
  • programas baseados em excessiva despesa pública. No caso de André Ventura, candidato do PSD e do PPM à Câmara Municipal de Loures, estamos perante uma forma mais perigosa de populismo que coloniza o discurso racista e securitário da extrema-direita. Não por acaso, depois de proferir declarações racistas sobre os ciganos, associando a etnia como um todo à criminalidade e à subsidiodependência, Ventura foi assediado pelo líder do PNR, José Pinto-Coelho, que o classificou como um dos "seus" e convidou: "Venha para o PNR e será livre." Mas Ventura permanece no PSD e insiste em alertar para "um problema com a comunidade cigana", no geral, além das suas promessas de arrancar todos os parquímetros de Loures, criar 10 mil empregos, transformar a Polícia Municipal num "exército de proteção", expulsar residentes de bairros sociais que não paguem as contas, etc. Acresce uma série de ideias "politicamente incorretas" que extravasam o perímetro do poder local, nomeadamente a aplicação da pena de morte (ou prisão perpétua) em Portugal. Esta forma de populismo vai ter sucesso nas urnas de voto? A última sondagem em Loures confere 18,2% das intenções de voto a Ventura, pouco acima dos 16% que o PSD obteve em 2013. Mas o "voto populista" costuma ser subestimado em sondagens. As eleições em Loures serão um balão de ensaio para este populismo que, em caso de sucesso, poderá contaminar o discurso político ao nível nacional. 6. BE e PCP vão reconsiderar apoio ao Governo do PS? É um cenário muito improvável, mas não impossível. Se o PCP perdesse uma parte considerável das 34 presidências de câmaras municipais que conquistou em 2013, sobretudo os bastiões mais importantes de Almada, Setúbal e Loures, decerto que se iniciaria um processo de reflexão interna sobre as vantagens/desvantagens de integrar a "geringonça" que suporta o atual Governo em funções, liderado pelo PS. O mesmo se aplica ao BE, embora seja ainda mais improvável, na medida em que não tem uma grande implantação ao nível autárquico. Ou seja, o BE não tem muito a perder nestas eleições. O hipotético desastre de comunistas e bloquistas nas urnas de voto teria efeitos, desde logo, nas negociações em curso do Orçamento do Estado para 2018, fazendo aumentar as suas reivindicações perante os socialistas. A "geringonça" tornar-se-ia um jogo de soma zero, podendo desembocar numa situação política insustentável. E dificilmente seria replicável a médio prazo, nas eleições legislativas de 2019. Por outro lado, se o PCP e o BE conseguirem excelentes resultados, aumentando o número total de votos e de presidências de câmaras municipais (no caso do BE, importa salientar que apenas integram a extensa coligação que apoia o independente Paulo Cafôfo no Funchal), isso também poderá gerar repercussões políticas ao nível nacional, tornando-os mais confiantes e assertivos nas negociações com o PS. Mas o cenário de maior tensão política seria uma discrepância nos resultados do PCP e do BE, isto é, um dos partidos ter bastante mais proveitos eleitorais do que o outro, transformando a correlação de forças das esquerdas

O Jornal Económico Investimento nas minas de Neves Corvo recebe luz verde – O Jornal Económico

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  • De acordo com o "site" oficial da Lundin Mining, desse montante, cerca de 25,5 milhões de euros (30 milhões de dólares ao câmbio atual) serão aplicados no terreno ainda no presente ano. A aprovação da APA estava condicionada à elaboração de um RECAPE – Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução, a apresentar pela Somincor à APA, de forma a respeitar as medidas de minimização e compensação recomendadas pela agência para minorar os impactes negativos deste projeto, mas o Jornal Económico sabe que também essa fase já foi superada com êxito, pelo que deverá estar para breve o arranque no terreno das obras principais deste empreendimento, representando um dos maiores IDE – Investimentos Diretos Estrangeiros dos últimos tempos em Portugal. "Este projeto visa o aumento da atual capacidade de produção de zinco (1,15 milhões de toneladas/ano) para 2,5 milhões de toneladas/ano, até ao primeiro semestre de 2019. Como consequência desta expansão surge a necessidade de instalação de novos equipamentos de processamento do minério extraído, bem como a necessidade de expansão de algumas das infraestruturas de superfície, de apoio, quer à lavaria de zinco, quer à expansão subterrânea da mina de Neves-Corvo", destaca o texto da DIA aprovada pela APA em relação a este projeto. O mesmo documento alerta que "o atual plano "life-of-mine" ("LOM", ou seja, a vida útil da mina) das minas de Neves-Corvo inclui uma taxa de cobre constante entre as 52 mil toneladas e as 60 mil toneladas por ano até 2020; após essa data, prevê-se um declínio constante na produção de cobre e um excesso de capacidade do poço de extração". "Caso o PEZ não se concretize [concretizasse], a atual previsão [de tempo de vida] da mina de Neves-Corvo
  • 2029", assegura o documento da APA. A DIA esclarece ainda que "a implementação do PEZ conduz a um aumento
  • produção de concentrado de zinco em 82%
  • o período de exploração do projeto". "O concentrado de chumbo sofre um aumento percentual ainda mais relevante, de cerca de 134%, embora, em termos absolutos, as quantidades sejam pouco significativas comparativamente aos restantes metais. No caso do cobre, verificar-se-ão aumentos na ordem dos 6%", assegura o referido documento. "Verificar-se-ão impactos positivos significativos associados à geologia e à socio-economia. Os impactos positivos encontram-se associados fundamentalmente à fase de exploração do projeto, decorrendo da promoção das atividades e do tecido empresarial ligado à exploração do projeto, bem como da manutenção de um número médio de 785 postos de trabalho, sendo admitida a perda de 88 postos de trabalho na sua ausência, com abrangência de nível local e regional", sublinha a DIA relativa à expansão de produção de zinco da Somincor em Neves-Corvo
  • os técnicos da APA, "este projeto desenvolve-se num setor estratégico para a economia regional e nacional, sendo responsável por
  • quota de significado muito relevante na geração de riqueza regional na estrutura
  • exportações – representando cerca de 92% das exportações regionais e 16% das exportações nacionais de minérios, escórias e cinzas – e na sustentação do emprego local". Em resumo, a APA considerou que este "é um projeto estratégico para o desenvolvimento local, regional e nacional", defendendo que as medidas de minimização e de compensação dos principais impactos negativos identificados irão permitir que esses efeitos sejam apenas "residuais", pelo que "não serão de molde a inviabilizar o projeto". A APA recomenda ainda que, durante a fase de exploração deste projeto, até 2020, a Somincor elabore e lhe entregue "um estudo que analise a viabilidade de prolongamento da vida útil do complexo mineiro [de Neves-Corvo], uma vez que, em termos sócio-económicos, é de real importância local, regional e nacional que a exporação mineira se mantenha ativa durante o máximo tempo possível", acrescentando que essa "análise poderá considerar a prospeção de novos jazigos
  • expansão dos existentes"

O Jornal Económico Norges Bank com 2,469% do BCP, ações sobem 0,53% em bolsa – O Jornal Económico

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O Jornal Económico Nova sondagem: Rui Moreira e Manuel Pizarro empatados no Porto – O Jornal Económico